Alcoolismo

Alcoolismo

Nem sempre é fácil perceber quando o consumo do álcool cruzou a linha de uso moderado e social para um uso nocivo ou dependência. Se uma pessoa passa a consumir álcool para lidar com as dificuldades ou para evitar sentir-se mal, este encontra-se em território de potencial perigo.

O alcoolismo ou abuso do álcool ocorrem devido a vários fatores interligados, incluindo a genética, a maneira com que o dependente foi criado, o seu meio social, e sua saúde mental.

Pessoas que têm uma história familiar de alcoolismo ou que se associam em estreita relação com pessoas que fazem o consumo pesado são mais propensos a desenvolver problemas com bebida. Finalmente, aqueles que sofrem de um problema de saúde mental, tais como ansiedade, depressão, doença bipolar ou também estão particularmente em risco, pois o álcool pode ser usado para automedicação.

A diferença entre uso frequente do álcool e alcoolismo é que os alcoólatras não têm mais capacidade de definir limites para seu consumo. Seu uso é autodestrutivo e perigoso para si e para outras pessoas.

O alcoolismo envolve todos os sintomas de abuso de álcool, mas também envolve outro forte elemento: a dependência física do álcool. Se a pessoa depender do álcool para “funcionar” ou se sente fisicamente obrigado a beber, ela se tornou um alcoólatra.

 

Crescente tolerância ao álcool pode ser o primeiro grande sinal de alerta de alcoolismo, além de outros indícios:

  • Beber muito mais do que antes para ficar tonto ou sentir-se relaxado;
  • Beber mais que as outras pessoas sem ficar bêbado;
  • Tolerância significa que, ao longo do tempo, o indivíduo precisa de mais e mais álcool para sentir os mesmos efeitos.

Outro sinal de alerta importante do alcoolismo é quando a pessoa percebe que precisa beber para aliviar os efeitos da ansiedade e da agitação. Beber para aliviar ou evitar os sintomas de abstinência é um sinal de alcoolismo e uma enorme bandeira vermelha. Quando se bebe muito, o corpo se acostuma com o álcool e apresenta sintomas de abstinência se for tirado.

 

Efeitos em curto e longo prazo

 Tontura, dor de cabeça, sensação de boca seca, desânimo, sentidos no dia seguinte são sintomas da famosa “ressaca”: uma reação do seu corpo a essa ingestão demasiada. 40 miligramas de etanol por 100 mililitros são suficientes para gerar o quadro de euforia, causando esse desconforto no dia posterior.

O coma alcoólico seria um próximo passo, necessitando de internação e aplicações de glicose, lavagens estomacais e outros tratamentos, de acordo com a intoxicação. 300 mg de etanol por 100 mL de sangue, aproximadamente, levam o indivíduo a esse quadro. Uma intoxicação mais severa (aproximadamente 500 mg por 100 mL), pode causar a morte por overdose.

O uso excessivo e prolongado do álcool pode irritar a mucosa estomacal, causando a gastrite. Essa confere muito desconforto ao portador, uma vez que causa ardência, queimação, dores de cabeça, etc. Outras consequências, e ainda mais graves, são: o aumento da pressão arterial, problemas no coração e pâncreas, hepatite e cirrose. Distúrbios do sistema nervoso, como desatenção e tremedeira, também podem fazer parte do quadro.

O fígado é um dos principais órgãos afetados, uma vez que é ele quem armazena o glicogênio – a nossa reserva de glicose, que oferece energia aos animais, inclusive o humano – e o libera aos poucos para a corrente sanguínea.

Quando o indivíduo está sem se alimentar por um tempo razoável, suas reservas se esgotam, fazendo com que este órgão sintetize a glicose a partir das nossas proteínas musculares. Essa síntese é dificultada na presença do álcool, visto que o etanol bloqueia essa ação. Assim sendo, é compreensível o porquê das pessoas que estão bebendo em jejum se afetam mais rapidamente e o porquê do álcool em excesso, ao longo do tempo, pode causar a cirrose hepática.

 

Sinais e Sintomas

  • Nervosismo e ansiedade
  • Tremores
  • Sudorese
  • Náuseas e vômitos
  • Insônia
  • Depressão
  • Irritabilidade
  • Fadiga
  • Perda de apetite
  • Dor de cabeça

 

Em casos mais graves, a falta do álcool pode também envolver alucinações, confusão, convulsões, febre e agitação. Estes sintomas podem ser perigosos, por isso é extremamente necessário que se procure ajuda.

O consumo de álcool em longo prazo pode causar sérias complicações de saúde, afetando praticamente todos os órgãos do corpo, incluindo o cérebro.

Problemas com a bebida podem prejudicar a estabilidade emocional, financeira, profissional e a capacidade de construir e manter relacionamentos duradouros. O alcoolismo pode também ter impacto sobre a família, amigos e ambiente profissional.

Ainda podem-se destacar outros sintomas da dependência do álcool:

  • Perder o controle sobre o consumo – Beber mais do que gostaria e por mais tempo que pretendia;
  • Esforço malsucedido de parar de beber – Há um desejo persistente de reduzir ou interromper o uso do álcool, mas os esforços são em vão;
  • Desistência de atividades de lazer e entretenimento por causa do álcool – Redução do tempo em atividades que costumavam ser importantes, como  sair com a família e amigos ou praticar esporte, para que haja mais tempo ao consumo de bebidas alcoólicas;
  • Foco no álcool – Boa parte do tempo gasto bebendo, pensando na próxima bebida, ou se recuperando de ressacas. Há pouco ou nenhum interesse em atividades sociais que não incluem bebidas alcoólicas.
  • Continua a beber mesmo ciente que causa problemas – Consumo contínuo do álcool mesmo ao reconhecer que prejudica o casamento.

Muitas vezes membros da família e amigos mais próximos sentem-se obrigados a acobertar a pessoa com problemas com a bebida. Assim, assumem a limpeza do ambiente, mentem para o dependente de álcool, trabalham mais para suprir as despesas. Fingem que nada está errado e isso pode causar problemas ainda maiores. O problema com o alcoolismo causa uma enorme pressão sobre as pessoas mais próximas do indivíduo.

A negação é um dos maiores obstáculos para a obtenção de ajuda contra o alcoolismo. O desejo de beber é tão forte que a mente encontra muitas maneiras de racionalizar o consumo, mesmo quando as consequências são óbvias. A negação pode agravar ainda mais os problemas relacionados com o álcool, trabalho, finanças e relacionamentos.

 

 

Cinco sinais contundentes de abuso de álcool:

1- ‘Eu posso parar de beber quando eu quiser’

Mesmo que aparentemente verdade, trata-se de uma desculpa para seguir bebendo a verdade é que a pessoa não quer parar de beber. Dizer que pode parar faz o alcoolista sentir-se no controle apesar de todas as evidências apontarem o contrário, e não importa o dano que tem causado.

 

2- ‘Minha bebida é problema meu’ ou ‘Eu sou único afetado e ninguém tem o direito de me fazer parar’

É verdade que a decisão de parar é da pessoa, mas ela está enganando a si mesmo se acha que o consumo abusivo do álcool não fere mais ninguém. O alcoolismo afeta todos ao redor, especialmente as pessoas mais próximas.

 

3 – ‘Eu não bebo todos os dias, por isso não posso ser um alcoolista’ ou ‘Eu só bebo cerveja ou vinho, por isso não posso ser um alcoólatra’.

A pessoa não precisa beber todos os dias, ou apenas bebidas consideradas mais fortes para ser alcoólatra. Muitos alcoólatras são capazes de manter seus empregos, sustentar suas famílias e ir à escola.

 

5 – ‘Beber não é um vício ‘real’, como abuso de drogas’

O álcool é uma droga e o alcoolismo é tão prejudicial quanto à dependência de drogas. Dependência de álcool provoca alterações no corpo e no cérebro, e o abuso em longo prazo pode ter efeitos devastadores sobre a saúde, carreira e relacionamentos. Alcoólatras entram em abstinência física quando param de beber, assim como usuários de drogas quando parar de usar.

 

 

Orientações em três passos

Passo 1 – Na consulta será definido o diagnóstico e condutas a serem tomadas.

Passo 2 – Em análise do caso será definido se o tratamento seguirá de modo clínico ou não. Havendo a necessidade de internação, é importante que a pessoa (juntamente com sua família) conheça os procedimentos de intervenção que serão tomados, trazendo dessa maneira a responsabilidade de tomada de decisões em sua vida.

Passo 3 – Acompanhamento direto da família no desenvolvimento do tratamento.

 

Ressalto que a dependência química é uma doença crônica, incurável e fatal. O controle é possível por meio de tratamento que objetiva reestruturar a vida do dependente.

 

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