Internação Involuntária

Internação Involuntária

Internação Involuntária

No último domingo do dia 02/06/2019 foi ao ar uma reportagem no Fantástico que diz respeito a polêmica lei antidrogas escrita pelo atual ministro da Cidadania, Osmar Terra. Suas considerações sinalizam para a possibilidade de Comunidades Terapêuticas receberem de forma involuntária usuários que não conseguem parar o uso de substâncias de forma autônoma, necessitando assim de ajuda especializada.

Há muitos anos, o tema é tratado de forma obscura, baseado em uma série de preconceitos que permitem confundir leigos, sendo através de julgamentos contra os usuários ou até mesmo contra os familiares que necessitam desse apoio. Também há muito tempo que as drogas veem proliferando seus males, atingindo pessoas de diferentes idades e classes sociais, evoluindo de maneira tão destrutiva que fez até mesmo a depressão perder o posto de doença do século para a adicção, podendo tão logo se transformar numa pandemia.
Penso que a decisão de modificar a lei é acertada e serve para combater de maneira firme o tráfico de drogas e tratar o dependente, oferecendo de modo digno uma escolha da qual a droga não pode ter mais peso, pois sob efeito de tais substância(s) o indivíduo NÃO é capaz de discernir se quer ou não parar de usar. Esperar que o mesmo decida por sua vontade é insensatez, insano e impróprio, pois tudo está em uma razão simples e científica: o elevado número de dopamina no cérebro faz com que o prazer pela droga seja maior que qualquer outra experiência já vivida, sendo assim, seu consciente perde forças na ação contra a droga.

Ajudar uma pessoa usuária de drogas nunca foi fácil e nunca será, mas cruzar os braços nos torna coniventes a uma situação que se tornou insustentável. O Brasil perde dezenas (talvez centenas) de pessoas por dia que morrem em decorrência do uso, sendo de maneira direta ou indireta.
O tratamento só dá certo quando feito de abstinência total! Redução de danos é para quem se cansou de tentar brigar na balança: Vontade vs. Tolerância Zero.

Entendam que o assunto ainda é alvo de muitas informações desencontradas, mas para aqueles que ainda tem dúvidas, basta perguntar para algum familiar de vítima das drogas qual é a melhor solução! Abstinência total!

Ecstasy

Ecstasy

Ecstasy é um fármaco sintético, também conhecido como MDMA, derivado da anfetamina que possui propriedades psicoativas e estimulantes.  Existem mais de 900 tipos distintos de comprimidos de ecstasy. A droga é consumida ao colocá-lo sob a língua até que se dissolva. Pode ser encontrado em diversos tamanhos, desenhos e cores, o que dificulta muito de ser encontrado na gaveta ou no armário, pois se assemelha a remédios. O Ecstasy também é chamado por muitos outros nomes como: bala, XTC, X, etc.

 

Efeitos em curto e longo prazo

O ecstasy oferece sensações de euforia, energia, alegria, distorções do tempo, distorções na percepção, além de outros sintomas.

Esta substância ilícita é comum e popular em casas noturnas e raves. Algumas vezes ela é usada em conjunto com outras drogas: a maconha, metanfetamina, ketamina e cocaína.

O ecstasy pode produzir uma série de efeitos, dependendo do seu grau de consumo. Dos efeitos agudos, que ocorrem de horas, até mesmo meses após o consumo, incluem:

  • Ansiedade
  • Insônia
  • Ataques de pânico
  • Psicose
  • Depressão
  • Tontura
  • Ansiedade severa
  • Irritação

 

Usuários crônicos, após um mês de uso, podem apresentar mal desempenho em tarefas cognitivas ou que exigem memória. O ecstasy afeta rapidamente o cérebro de maneira a distorcer a percepção do usuário sobre o que está acontecendo à sua volta. Suas ações podem ser estranhas, irracionais, inadequadas e até mesmo destrutivas.

A longo prazo, o ecstasy pode prejudicar neurônios serotonérgicos, causando danos permanentes no Sistema Nervoso Central, cérebro, e desordem neuropsiquiátricas.

Ainda há os efeitos residuais que podem permanecer por semanas, por exemplo:

  • Fadiga
  • Insônia
  • Tontura
  • Dores musculares
  • Ansiedade
  • Pânico
  • Depressão

 

Como acontece com outras drogas, o uso em grande quantidade pode causar sérios problemas ao usuário de ecstasy, até mesmo uma overdose. Neste caso podem ocorrer os seguintes efeitos:

  • Palpitação
  • Hipertensão arterial seguida de hipotensão
  • Arritmias cardíacas
  • Taquicardia
  • Hipertemia fulminante (acima de 42˚)
  • Coagulação intravascular disseminada
  • Insuficiência renal aguda
  • Hepatoxidade
  • Morte

 

Podem ocorrer também alucinações visuais, aumento da acuidade visual para cores, luminescência de objetos, dormência e formigamento nas extremidades.

 

Sinais e Sintomas

Dentre os efeitos do ecstasy estão a potencialização do sentido do tato, estimulação mental, excitação emocional e aumento da energia física. Ou seja, ao consumir a droga, a pessoa se torna mais amigável, hiperativa de energia, além disso, potencializa os sentidos, permitindo que a pessoa escute melhor, por exemplo.

Esses efeitos surgem depois de 20 a 60 minutos após a ingestão da droga, e podem durar por horas.

Os sintomas adversos do consumo de ecstasy podem incluir:

  • Náusea
  • Calafrios
  • Sudorese
  • Visão turva
  • Câimbras musculares
  • Trismo ou bruxismo (rigidez na mandíbula)
  • Dor de cabeça
  • Perda de apetite

 

Orientações em três passos

Passo 1 – Na consulta será definido o diagnóstico e condutas a serem tomadas.

Passo 2 – Em análise do caso será definido se o tratamento seguirá de modo clínico ou não. Havendo a necessidade de internação, é importante que a pessoa (juntamente com sua família) conheça os procedimentos de intervenção que serão tomados, trazendo dessa maneira a responsabilidade de tomada de decisões em sua vida.

Passo 3 – Acompanhamento direto da família no desenvolvimento do tratamento.

 

Ressalto que a dependência química é uma doença crônica, incurável e fatal. O controle é possível por meio de tratamento que objetiva reestruturar a vida do dependente.

 

Maconha

Maconha

A maconha é derivada de uma planta que contém mais de 400 substâncias químicas, entre elas, alucinógenas e ansiolíticas. O tetra-hidrocarbinol (THC) é uma das substâncias mais associadas aos efeitos que a maconha produz no cérebro. Ao inalar a fumaça da maconha, o THC agirá diretamente nos pulmões que são revestidos pelos alvéolos, esses por possuírem uma superfície grande, absorvem facilmente o THC e outras substâncias. Minutos depois de inalado, o THC vai direto para a corrente sanguínea até o cérebro, aumentando assim a frequência cardíaca. Os brônquios relaxam e os vasos sanguíneos dos olhos ficam dilatados, deixando-os vermelhos.

A maconha é a principal porta de entrada para outras drogas mais poderosas e devastadoras, necessitando dessa maneira rápida intervenção profissional no intuito de combater o vício.

Efeitos em curto e longo prazo

Logo após a pessoa consumir maconha, já se notam alguns efeitos físicos, tais como: memória prejudicada, confusão temporal entre passado, presente e futuro, sentidos aguçados, porém, com pouco equilíbrio e força muscular, perda da coordenação, percepção distorcida, ansiedade, boca seca e dificuldade com pensamentos e soluções de problemas. As pessoas que fumam maconha estão suscetíveis aos mesmos problemas das pessoas que fumam tabaco, entre eles, asma, enfisema pulmonar, bronquite e câncer.

O usuário de maconha pode ter algumas reações  nervosas temporárias, como por exemplo, sintomas psicóticos. O uso por parte de pessoas com esquizofrenia agrava o quadro, aumentando consideravelmente o risco de desenvolver a doença em pessoas predispostas. Além da esquizofrenia, há indícios de que a maconha também pode apresentar outros sinais  de doenças mentais.

O uso da maconha antes dos 20 anos leva a alteração (possivelmente definitiva) na estrutura cerebral, pois ainda estão em uma fase de amadurecimento até a idade adulta e o consumo pode resultar em efeitos negativos no seu desenvolvimento.

O adolescente que usa  maconha pode se tornar um adulto improdutivo, já que um dos efeitos a longo prazo é a diminuição do QI, além  de possivelmente se transformar em uma pessoa  insatisfeita com a vida, com problemas de relacionamento,  doença física e mental e sem sucesso na carreira profissional.

A orientação é sempre buscar ajuda profissional para lidar com esses sintomas.

 

Sinais e Sintomas

É possível notar alguns sinais e sintomas de uso de maconha, como:

  • Agitação, voz alta e gargalhadas (incomuns);
  • Sonolência ou torpor;
  • Falta de concentração e coordenação;
  • Lapsos e falhas de memória;
  • Olhos avermelhados;
  • Senso distorcido de passagem do tempo;
  • Aumento do apetite, principalmente por doces;
  • Kits em caixinhas, potes ou latinhas ocultados em gavetas, armários, bolsos de jaquetas, embaixo de bancos do carro etc., contendo clipes, pacotes de papéis, seda ou guardanapos de bar, tubos de cano, colírio, fósforos, chicletes.

 

Orientações em três passos

Passo 1 – Na consulta será definido o diagnóstico e condutas a serem tomadas.

Passo 2 – Em análise do caso será definido se o tratamento seguirá de modo clínico ou não. Havendo a necessidade de internação, é importante que a pessoa (juntamente com sua família) conheça os procedimentos de intervenção que serão tomados, trazendo dessa maneira a responsabilidade de tomada de decisões em sua vida.

Passo 3 – Acompanhamento direto da família no desenvolvimento do tratamento.

 

Ressalto que a dependência química é uma doença crônica, incurável e fatal. O controle é possível por meio de tratamento que objetiva reestruturar a vida do dependente.

 

Crack

Crack

O crack é uma mistura da pasta-base de cocaína refinada com bicarbonato de sódio e água. Muitas vezes a mistura é falsificada com o acréscimo de cimento, cal, querosene e acetona, para aumentar o seu volume. Quando aquecida, a mistura separa as substâncias líquidas das sólidas. As substâncias líquidas são então descartadas e as sólidas são convertidas na “pedra de crack” que, com a utilização de um cachimbo, é então fumada e absorvida pelo corpo em quase 100% do total ingerido. A via inalatória confere à droga um tempo de ação e um poder viciante extremamente rápido, o que tem tornado o crack um verdadeiro flagelo.

Vários fatores psicológicos e sociais podem levar a pessoa a experimentar a droga pela primeira vez. Entre eles: depressão, ansiedade, baixo nível intelectual, fenômeno social das gangues, desagregação familiar, forte atuação dos traficantes, etc. A dependência ao crack é a compulsão invencível de fumar a droga, que se estabelece já a partir da primeira experiência. A duração da intoxicação, de apenas dez minutos, leva à busca imediata por mais crack, fazendo com que o viciado tenha quase sempre que viver na rua.

Para o consumo inalatório da droga, são utilizados cachimbos elaborados pelos próprios usuários, geralmente de alumínio e compartilhados entre o grupo de uso. Também tem sido comum o consumo de cigarros ou de maconha com fragmentos de pedras de crack. A forma injetável do crack não teve sucesso e foi quase extinta no Brasil, substituído pelo crack que provoca efeito semelhante e tão potente quanto a cocaína injetada.

 

Efeitos em curto e longo prazo

Os efeitos do crack  são basicamente os mesmos da cocaína: sensação de poder, excitação, hiperatividade, insônia, intensa euforia e prazer. A falta de apetite comum nos usuários de cocaína é intensificada nos usuários de crack. Um dependente de crack pode perder entre 8 e 10 kg em um único mês.

Por ser inalado, os crack chega rapidamente ao cérebro, por isso seus efeitos são sentidos quase imediatamente – em 10 a 15 segundos – no entanto, tais efeitos duram em média 5 minutos, o que leva o usuário a usar o crack muitas vezes em curtos períodos de tempo, tornando-se dependente. Daí o grande poder de causar dependência do crack. Após tornar-se dependente, sem a droga o usuário entra em depressão e sente um grande cansaço, além de sentir a “fissura”, que é a compulsão para usar a droga, que no caso do crack é avassaladora. O uso contínuo de grandes quantidades de crack leva o usuário a tornar-se extremamente agressivo, chegando a ficar paranoico, daí a gíria “nóia”, como referência ao usuário de crack. Problemas mentais sérios, problemas respiratórios, derrames e infartos são as consequências mais comuns do uso do crack.

 

Sinais e Sintomas  

O usuário de crack apresenta mudanças evidentes de hábitos, comportamentos e aparência física. Um dos sintomas físicos mais comuns que ajudam a identificar o uso da droga é a redução drástica do apetite, que leva à perda de peso rápida e acentuada – em um mês de uso contínuo, o usuário pode emagrecer até 10 quilos. Fraqueza, desnutrição e aparência de cansaço físico também são sintomas relacionados à perda de apetite.

É comum ainda que o usuário tenha insônia enquanto está sob o efeito do crack, assim como sonolência nos períodos sem a droga. “Os períodos utilizando a droga prolongam-se e os usuários começam a ficar períodos maiores fora de casa, gastando, em média, três dias e noites inteiros destinados ao consumo do crack. Neste contexto, atividades como alimentação, higiene pessoal e sono são completamente abandonadas, comprometendo gravemente o estado físico do usuário”, afirma o psiquiatra Felix Kessler.

Sinais físicos como queimaduras e bolhas no rosto, lábios, dedos e mãos podem ser sinais do uso da droga, em função da alta temperatura que a queima da pedra requer.

 

Orientações em três passos

Passo 1 – Na consulta será definido o diagnóstico e condutas a serem tomadas.

Passo 2 – Em análise do caso será definido se o tratamento seguirá de modo clínico ou não. Havendo a necessidade de internação, é importante que a pessoa (juntamente com sua família) conheça os procedimentos de intervenção que serão tomados, trazendo dessa maneira a responsabilidade de tomada de decisões em sua vida.

Passo 3 – Acompanhamento direto da família no desenvolvimento do tratamento.

 

Ressalto que a dependência química é uma doença crônica, incurável e fatal. O controle é possível por meio de tratamento que objetiva reestruturar a vida do dependente.

 

Cocaína

Cocaína

A cocaína é uma das drogas mais perigosas conhecidas pelo homem. Uma vez que uma pessoa comece a consumir a droga, é quase impossível física e mentalmente livrar–se das suas garras. Fisicamente ela estimula os receptores chave do cérebro (terminações nervosas que alteram os sentidos no corpo) que, por sua vez, cria uma euforia à qual os consumidores desenvolvem uma tolerância rapidamente. Apenas o uso de doses mais elevadas e mais frequentes pode causar um efeito semelhante.

O pó de cocaína pode ser inalado pelo nariz (aspirado) ou dissolvido em água e em seguida injetado diretamente na veia.

Alguns usuários a injeta na pele causando erupções, podendo ocasionar uma infecção ou até mesmo a outras complicações médicas.  O produto químico puro (Hidrocloreto de cocaína) tem sido uma substância usada por mais de 100 anos, e a folha da coca, que é a fonte da cocaína, tem sido ingerido há milhares de anos.

 

 

Efeitos em curto e longo prazo

Os efeitos da cocaína aparecem quase imediatamente após uma única dose e desaparecem em poucos minutos ou em uma hora. Usada em pequenas quantidades, a cocaína geralmente faz com que o usuário sinta-se eufórico, energético, falador, e mentalmente alerta, especialmente para as sensações de visão, audição e tato. Também podem diminuir temporariamente a necessidade de comer e dormir. Alguns usuários acham que a droga ajuda a realizar tarefas físicas e intelectuais simples mais rapidamente, embora outros sentem efeito contrário.

A duração dos efeitos eufóricos da cocaína depende da via de administração. Quanto mais rápido a droga é absorvida, mais intensa e a elevada é a reação, mas também resulta na mais curta duração.

Usar cocaína provoca reações diferentes em todos, e a gravidade dos efeitos depende de vários fatores. A pureza da droga, a frequência de uso e se a saúde física do usuário contribui para a forma como o seu corpo vai reagir à cocaína. Embora os efeitos do consumo de cocaína possam variar as reações típicas ao usar cocaína inclui os seguintes sintomas:

  • Elevação da frequência cardíaca
  • Aumento da temperatura corporal
  • Aumento da pressão arterial
  • Pupilas dilatadas
  • Dor de cabeça
  • Desnutrição
  • Pânico e paranoia grave
  • Problemas psiquiátricos
  • Obstrução dos vasos sanguíneos
  • Inquietação
  • Irritabilidade
  • Ansiedade
  • Tremores
  • Vertigens
  • Espasmo muscular

 

 

Sinais e Sintomas

Os usuários de cocaína geralmente experimentam uma sensação de euforia, imediatamente após consumir a droga. Este sentimento de felicidade é o que faz com que os usuários queiram consumi-la outras vezes, o que leva ao abuso e à dependência. Este comportamento é, em grande parte, o resultado dos efeitos da exposição prolongada da função cerebral para a droga. O vício é uma doença do cérebro que afeta vários circuitos cerebrais, incluindo aquelas envolvidas na recompensa e motivação, aprendizado e memória, e controle de inibições sobre o comportamento.

Os sinais mais óbvios de abuso de cocaína são um forte desejo ou necessidade irresistível pela droga. Um mecanismo é através de seus efeitos sobre as estruturas profundas no cérebro.

Outros sintomas de abuso e dependência de cocaína ocorrem quando a droga começa a ter um impacto negativo na vida do usuário. Isso pode incluir a interferência no trabalho ou escola e problemas com relacionamentos. Outros sinais comuns de abuso de cocaína incluem:

 

  • A necessidade de aumentar a dose para obter o mesmo efeito;
  • Sofrer os sintomas de abstinência leves quando os efeitos desaparecem;
  • Dificuldade em parar com o uso da droga;
  • Usar a droga mais frequentemente e em maior quantidade;
  • Apresentar sintomas crônicos de privação ou incapacidades permanentes de parar.

 

 

Orientações em três passos

Passo 1 – Na consulta será definido o diagnóstico e condutas a serem tomadas.

Passo 2 – Em análise do caso será definido se o tratamento seguirá de modo clínico ou não. Havendo a necessidade de internação, é importante que a pessoa (juntamente com sua família) conheça os procedimentos de intervenção que serão tomados, trazendo dessa maneira a responsabilidade de tomada de decisões em sua vida.

Passo 3 – Acompanhamento direto da família no desenvolvimento do tratamento.

 

Ressalto que a dependência química é uma doença crônica, incurável e fatal. O controle é possível por meio de tratamento que objetiva reestruturar a vida do dependente.

Alcoolismo

Alcoolismo

Nem sempre é fácil perceber quando o consumo do álcool cruzou a linha de uso moderado e social para um uso nocivo ou dependência. Se uma pessoa passa a consumir álcool para lidar com as dificuldades ou para evitar sentir-se mal, este encontra-se em território de potencial perigo.

O alcoolismo ou abuso do álcool ocorrem devido a vários fatores interligados, incluindo a genética, a maneira com que o dependente foi criado, o seu meio social, e sua saúde mental.

Pessoas que têm uma história familiar de alcoolismo ou que se associam em estreita relação com pessoas que fazem o consumo pesado são mais propensos a desenvolver problemas com bebida. Finalmente, aqueles que sofrem de um problema de saúde mental, tais como ansiedade, depressão, doença bipolar ou também estão particularmente em risco, pois o álcool pode ser usado para automedicação.

A diferença entre uso frequente do álcool e alcoolismo é que os alcoólatras não têm mais capacidade de definir limites para seu consumo. Seu uso é autodestrutivo e perigoso para si e para outras pessoas.

O alcoolismo envolve todos os sintomas de abuso de álcool, mas também envolve outro forte elemento: a dependência física do álcool. Se a pessoa depender do álcool para “funcionar” ou se sente fisicamente obrigado a beber, ela se tornou um alcoólatra.

 

Crescente tolerância ao álcool pode ser o primeiro grande sinal de alerta de alcoolismo, além de outros indícios:

  • Beber muito mais do que antes para ficar tonto ou sentir-se relaxado;
  • Beber mais que as outras pessoas sem ficar bêbado;
  • Tolerância significa que, ao longo do tempo, o indivíduo precisa de mais e mais álcool para sentir os mesmos efeitos.

Outro sinal de alerta importante do alcoolismo é quando a pessoa percebe que precisa beber para aliviar os efeitos da ansiedade e da agitação. Beber para aliviar ou evitar os sintomas de abstinência é um sinal de alcoolismo e uma enorme bandeira vermelha. Quando se bebe muito, o corpo se acostuma com o álcool e apresenta sintomas de abstinência se for tirado.

 

Efeitos em curto e longo prazo

 Tontura, dor de cabeça, sensação de boca seca, desânimo, sentidos no dia seguinte são sintomas da famosa “ressaca”: uma reação do seu corpo a essa ingestão demasiada. 40 miligramas de etanol por 100 mililitros são suficientes para gerar o quadro de euforia, causando esse desconforto no dia posterior.

O coma alcoólico seria um próximo passo, necessitando de internação e aplicações de glicose, lavagens estomacais e outros tratamentos, de acordo com a intoxicação. 300 mg de etanol por 100 mL de sangue, aproximadamente, levam o indivíduo a esse quadro. Uma intoxicação mais severa (aproximadamente 500 mg por 100 mL), pode causar a morte por overdose.

O uso excessivo e prolongado do álcool pode irritar a mucosa estomacal, causando a gastrite. Essa confere muito desconforto ao portador, uma vez que causa ardência, queimação, dores de cabeça, etc. Outras consequências, e ainda mais graves, são: o aumento da pressão arterial, problemas no coração e pâncreas, hepatite e cirrose. Distúrbios do sistema nervoso, como desatenção e tremedeira, também podem fazer parte do quadro.

O fígado é um dos principais órgãos afetados, uma vez que é ele quem armazena o glicogênio – a nossa reserva de glicose, que oferece energia aos animais, inclusive o humano – e o libera aos poucos para a corrente sanguínea.

Quando o indivíduo está sem se alimentar por um tempo razoável, suas reservas se esgotam, fazendo com que este órgão sintetize a glicose a partir das nossas proteínas musculares. Essa síntese é dificultada na presença do álcool, visto que o etanol bloqueia essa ação. Assim sendo, é compreensível o porquê das pessoas que estão bebendo em jejum se afetam mais rapidamente e o porquê do álcool em excesso, ao longo do tempo, pode causar a cirrose hepática.

 

Sinais e Sintomas

  • Nervosismo e ansiedade
  • Tremores
  • Sudorese
  • Náuseas e vômitos
  • Insônia
  • Depressão
  • Irritabilidade
  • Fadiga
  • Perda de apetite
  • Dor de cabeça

 

Em casos mais graves, a falta do álcool pode também envolver alucinações, confusão, convulsões, febre e agitação. Estes sintomas podem ser perigosos, por isso é extremamente necessário que se procure ajuda.

O consumo de álcool em longo prazo pode causar sérias complicações de saúde, afetando praticamente todos os órgãos do corpo, incluindo o cérebro.

Problemas com a bebida podem prejudicar a estabilidade emocional, financeira, profissional e a capacidade de construir e manter relacionamentos duradouros. O alcoolismo pode também ter impacto sobre a família, amigos e ambiente profissional.

Ainda podem-se destacar outros sintomas da dependência do álcool:

  • Perder o controle sobre o consumo – Beber mais do que gostaria e por mais tempo que pretendia;
  • Esforço malsucedido de parar de beber – Há um desejo persistente de reduzir ou interromper o uso do álcool, mas os esforços são em vão;
  • Desistência de atividades de lazer e entretenimento por causa do álcool – Redução do tempo em atividades que costumavam ser importantes, como  sair com a família e amigos ou praticar esporte, para que haja mais tempo ao consumo de bebidas alcoólicas;
  • Foco no álcool – Boa parte do tempo gasto bebendo, pensando na próxima bebida, ou se recuperando de ressacas. Há pouco ou nenhum interesse em atividades sociais que não incluem bebidas alcoólicas.
  • Continua a beber mesmo ciente que causa problemas – Consumo contínuo do álcool mesmo ao reconhecer que prejudica o casamento.

Muitas vezes membros da família e amigos mais próximos sentem-se obrigados a acobertar a pessoa com problemas com a bebida. Assim, assumem a limpeza do ambiente, mentem para o dependente de álcool, trabalham mais para suprir as despesas. Fingem que nada está errado e isso pode causar problemas ainda maiores. O problema com o alcoolismo causa uma enorme pressão sobre as pessoas mais próximas do indivíduo.

A negação é um dos maiores obstáculos para a obtenção de ajuda contra o alcoolismo. O desejo de beber é tão forte que a mente encontra muitas maneiras de racionalizar o consumo, mesmo quando as consequências são óbvias. A negação pode agravar ainda mais os problemas relacionados com o álcool, trabalho, finanças e relacionamentos.

 

 

Cinco sinais contundentes de abuso de álcool:

1- ‘Eu posso parar de beber quando eu quiser’

Mesmo que aparentemente verdade, trata-se de uma desculpa para seguir bebendo a verdade é que a pessoa não quer parar de beber. Dizer que pode parar faz o alcoolista sentir-se no controle apesar de todas as evidências apontarem o contrário, e não importa o dano que tem causado.

 

2- ‘Minha bebida é problema meu’ ou ‘Eu sou único afetado e ninguém tem o direito de me fazer parar’

É verdade que a decisão de parar é da pessoa, mas ela está enganando a si mesmo se acha que o consumo abusivo do álcool não fere mais ninguém. O alcoolismo afeta todos ao redor, especialmente as pessoas mais próximas.

 

3 – ‘Eu não bebo todos os dias, por isso não posso ser um alcoolista’ ou ‘Eu só bebo cerveja ou vinho, por isso não posso ser um alcoólatra’.

A pessoa não precisa beber todos os dias, ou apenas bebidas consideradas mais fortes para ser alcoólatra. Muitos alcoólatras são capazes de manter seus empregos, sustentar suas famílias e ir à escola.

 

5 – ‘Beber não é um vício ‘real’, como abuso de drogas’

O álcool é uma droga e o alcoolismo é tão prejudicial quanto à dependência de drogas. Dependência de álcool provoca alterações no corpo e no cérebro, e o abuso em longo prazo pode ter efeitos devastadores sobre a saúde, carreira e relacionamentos. Alcoólatras entram em abstinência física quando param de beber, assim como usuários de drogas quando parar de usar.

 

 

Orientações em três passos

Passo 1 – Na consulta será definido o diagnóstico e condutas a serem tomadas.

Passo 2 – Em análise do caso será definido se o tratamento seguirá de modo clínico ou não. Havendo a necessidade de internação, é importante que a pessoa (juntamente com sua família) conheça os procedimentos de intervenção que serão tomados, trazendo dessa maneira a responsabilidade de tomada de decisões em sua vida.

Passo 3 – Acompanhamento direto da família no desenvolvimento do tratamento.

 

Ressalto que a dependência química é uma doença crônica, incurável e fatal. O controle é possível por meio de tratamento que objetiva reestruturar a vida do dependente.